O ceticismo necessário


"Descobrir a gota ocasional de verdade no meio de um grande oceano de confusão e mistificação requer vigilância, dedicação e coragem. Mas, se não praticarmos esses hábitos rigorosos de pensar, não podemos ter a esperança de solucionar os problemas verdadeiramente sérios com que nos defrontamos - e nos arriscamos a nos tornar uma nação de patetas, um mundo de patetas, prontos para sermos passados para trás pelo primeiro charlatão que cruzar o nosso caminho". (Carl Sagan)

sábado, 24 de outubro de 2009

Do blog do Augusto Nunes - Imperdivel


SEÇÃO » Direto ao Ponto


O autor do furto não perdoa o dono da ideia que surrupiou


22 de outubro de 2009



Por que o presidente da República fez questão de assassinar no berço todas as tentativas de investigar as gravíssimas denúncias envolvendo o presidente do Congresso? Novamente confrontado com a intervenção obscena durante a entrevista à Folha, Lula fez uma ressalva falaciosa antes de recitar a sinopse da Teoria do Homem Incomum: "É verdade que ninguém está acima da lei, mas é importante não permitir a execração das pessoas por conveniências eminentemente políticas", cruzou para a pequena área. "Sarney foi presidente. Os ex-presidentes devem ser respeitados, porque foram instituições. Não pode banalizar a figura de um ex-presidente", aparou com a mão e mirou no ângulo.


Acertou o pau de escanteio. Quem se curvou a conveniências políticas foi Lula. Para manter no cargo um comparsa obediente, tornou-se cúmplice do senador metido em delinquências comprovadas. Para justificar a ação imoral e ilegal, decidiu que a lei deve respeitar um ex-presidente. Errado: um ex-presidente é que deve respeitar a lei, como qualquer cidadão. Lula acha que ex-presidentes são homens incomuns. Não são. A Constituição estabelece que todos os brasileiros são iguais. Ninguém é mais igual que os outros.


Enquanto chefiou a oposição, Lula desrespeitou em público, sempre acintosamente, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. No poder, passou a aplicar seletivamente a regra do respeito. Vale para os três primeiros, com quem trocou insultos. Não vale para Fernando Henrique Cardoso, que jamais o ofendeu. Enquanto cobre de favores e afagos o candidato a réu, Lula não consegue ser sequer gentil com o ex-presidente sem contas a acertar com a Justiça.


Um dia antes da entrevista à Folha, ao lançar em Belo Horizonte um certo PAC das Cidades Históricas, Lula cometeu mais um furto de direitos autorais. A mudança de nome não impediu que até os casarões já demolidos de Ouro Preto reconhecessem o Documenta, criado em 2000 pelo governo Fernando Henrique. O cinismo poderia ter estacionado na omissão do nome do criador. Lula sempre vai mais longe. Recorrendo às generalizações malandras de praxe, retomou a ladainha de críticas cretinas ao dono da ideia que surrupiou.


"Teve um tempo em que a gente ficava indignada", fantasiou deliberadamente o orador que não consegue perdoar o antecessor, a língua portuguesa e a verdade. "Não tinha quase nenhuma recuperação do patrimônio histórico brasileiro e setores importantes da sociedade brasileira viajavam para a Europa para ver o grande patrimônio histórico europeu". Graças ao Monumenta, 26 cidades foram contempladas com R$ 250 milhões desde 2000.


Há anos, Marisa Letícia ordenou a um serviçal que infiltrasse a estrela vermelha do PT, com quatro metros de diâmetro, no jardim do Palácio da Alvorada. O serviço foi executado com um implante de sálvias. O marido achou aquilo muito bonito. Não sabia que o jardim havia sido tombado pelo Patrimônio Histórico. Não sabia que Burle Marx foi o autor do projeto, doado ao governo brasileiro pelo imperador japonês Hiroíto. Não sabia quem era Burle Marx, nem Hiroíto. Nenhum espanto. Ele nunca se interessou por essas irrelevâncias. Não sabe nada de História. Mas conhece a história do programa que rebatizou e ampliou ligeiramente para apagar pegadas e pistas.


Lula não precisa tratar FHC como "instituição". Algum respeito já basta.


PAC - Programa de Aceleração do Crime

VEJA 2 - QUEM CHEIRA MATA



sábado, 24 de outubro de 2009 | 5:21



As cenas de um helicóptero em chamas no ar, abatido por tiros de fuzil, deram ao mundo a dimensão trágica que o banditismo atingiu no Rio de Janeiro. A sede da Olimpíada 2016 já tem seu maior desafio: desbaratar as quadrilhas, prender os criminosos e libertar os bairros sob seu comando




Por Ronaldo França e Ronaldo Soares











Montagem sobre fotos de Andrmourão/Ag.O Dia/AE; Fabiano Rocha/ Ag. O Globo; Fabio


Guimarães/ Extra/ Ag. O Globo; Wilton Junior/ AE


VISÃO DO INFERNO


Tiroteios com armas de guerra, corpos carregados e o morto no carrinho de compras -


saldo de mais um confronto da polícia carioca com traficantes - tomaram as páginas


de jornais e assustaram o mundo: organizar a Olimpíada de 2016 será um enorme desafio

Será difícil. Será doloroso. Os fatos ocorridos na semana passada, no Rio de Janeiro, ilustram o tamanho e a complexidade do desafio de elevar a níveis satisfatórios a segurança na cidade que sediará os Jogos Olímpicos de 2016. A dimensão do problema é abismal. Das 1 020 favelas da cidade, 470 estão nas mãos de bandidos. A dificuldade de acesso pelas vielas, a topografia montanhosa e a alta densidade populacional as transformaram em trincheiras. Na cidade, são vendidas 20 toneladas de cocaína por ano, comércio que produz 300 milhões de reais e financia a corrida armamentista das quadrilhas que disputam territórios a bala. Diante dessa realidade - e de cenas assombrosas, como a de um corpo despejado em um carrinho de supermercado e de policiais queimados nos escombros do helicóptero derrubado -, a pergunta que se estampou na imprensa mundial foi: será possível para a cidade sediar a Olimpíada? A resposta existe. Sim, é possível. Mas para isso precisa tomar como norte as palavras do secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. "Foi o nosso 11 de Setembro." A alusão aos ataques terroristas nos Estados Unidos, em 2001, se justifica. Não tanto pela semelhança e gravidade dos acontecimentos, mas pela necessidade de o país inteiro se mobilizar para resolver o problema da segurança do Rio.


Nunca antes os traficantes haviam chegado tão longe. Incumbido do resgate de feridos no confronto - que se estendeu pelos dias seguintes, produzindo 39 mortos, 41 presos e dez ônibus incendiados -, o helicóptero se preparava para pousar pela terceira vez na favela. Alvejado, caiu em chamas, matando três ocupantes. O armamento pesado, capaz até de perfurar blindagens, já está em poder das quadrilhas há mais de dez anos, como demonstram as apreensões feitas pela polícia. Como essas armas chegaram ao topo dos morros e por que continuam ali é a questão central. A polícia carioca tem um histórico de conivência com a bandidagem que a faz a mais corrupta do Brasil. Essa promiscuidade criminosa mina o ambiente de trabalho dos policiais e fortalece os bandidos. Se restavam dúvidas, elas se dissiparam, na semana passada, nas cenas de policiais flagrados em mais um crime. Em vez de prenderem os homens que acabaram de cometer um assassinato, tomaram deles os pertences roubados da vítima, que não socorreram. Uma suposta participação dos policiais será ainda investigada. O governador Sérgio Cabral tem uma avaliação realista sobre a situação de sua polícia. "Estamos longe, muito longe do ideal", diz. Mas garante que isso não interferirá na realização dos Jogos. "Se eles fossem daqui a três meses, não haveria problema. A mobilização das forças de segurança em eventos assim é muito grande. O desafio é construir uma segurança de fato."


O reconhecimento pelos encarregados da tarefa é um bom sinal. Ajuda a desentupir as artérias que levam a uma solução. Muitos dos passos a serem dados são conhecidos, há anos, pelos profissionais de segurança. Fazem parte disso as ocupações permanentes de favelas, iniciadas no ano passado, com resultados animadores. Outra medida em curso é a neutralização de qualquer influência política na indicação de delegados e comandantes de batalhões. São avanços importantes, porém insuficientes. A dificuldade maior, daqui para diante, será admitir que, para mudar, é preciso enfrentar velhos problemas, e assumir responsabilidades sobre eles. Nas próximas páginas, estão expostos quinze pontos sistematicamente varridos para debaixo do tapete quando se discutem soluções para a prevalência do crime no Rio. Trazê-los ao debate é a contribuição de VEJA para a reconstrução de uma cidade maravilhosa.












Fotos Patricia Santos/ AE; Guilherme Pinto; Marcos d'Paula/ AE


CIDADANIA AO AVESSO


Manifesto pela paz em praia carioca: parte da classe média presente nas passeatas não enxerga relação entre drogas e violência



1 QUEM CHEIRA MATA

O usuário de cocaína financia as armas e a munição que os traficantes usam para matar policiais, integrantes de grupos rivais e inocentes.


A venda de cocaína aos usuários cariocas rende 300 milhões de reais por ano aos bandidos. Os usuários de drogas financiam a corrida armamentista nos morros. Cada tiro de fuzil disparado tem também no gatilho o dedo de um comprador de cocaína. Essa realidade não é facilmente admitida. A tendência é tratar o usuário com leniência. Alguns países - o México é um exemplo - deixaram de considerar crime o porte de pequenas quantidades de cocaína. É uma medida temerária que aumenta a arrecadação dos bandidos e, como resultado, o seu poder de fogo.


Saiu na VEJA





O bonde do MC Beltrame


sexta-feira, 23 de outubro de 2009 | 23:37

"Desde que Lula passou por lá para visitar as obras do PAC, o Complexo do Alemão transformou-se num território da paz, mas unicamente para os traficantes do Comando Vermelho"


Em julho, no Morro da Chatuba, ocorreu um baile funk em homenagem a FB, o chefe do tráfico de drogas no Complexo do Alemão. MC Smith cantou:


"A festa do FB / está tipo Osama bin Laden"


No domingo passado, o Morro da Chatuba assistiu a mais um baile funk. Desta vez, os homens de FB comemoraram o abatimento de um helicóptero da PM. José Mariano Beltrame, a maior autoridade policial do estado do Rio de Janeiro, comparou o abatimento do helicóptero aos atentados terroristas de Osama bin Laden, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001. MC Beltrame, inspirado em MC Smith, já pode animar um baile funk no Morro da Chatuba.


FB está longe de ser um Osama bin Laden. Os policiais comandados por José Mariano Beltrame sempre souberam onde ele se escondia. Dez dias antes que FB ordenasse o assalto ao Morro dos Macacos, que resultou no abatimento do helicóptero da PM e na morte de mais de trinta pessoas, a deputada federal Marina Maggessi declarou o seguinte a um repórter de O Globo:


"A polícia não entra no Complexo do Alemão por causa das obras do PAC. Está todo mundo evitando tiroteio para não parar as obras do PAC. A bandidagem toda está indo para lá".


O "bonde" de FB (tema de outro funk de MC Smith), formado por mais de 100 criminosos, confirmou a denúncia de Marina Maggessi. Na última semana, ela repetiu que as obras do PAC criaram uma zona franca para o Comando Vermelho. Revelou também que as autoridades policiais foram alertadas sobre os planos de FB algumas horas antes de ele atacar o Morro dos Macacos. O que aconteceu depois disso? As delegacias da região foram impedidas de agir.


Em 4 de dezembro de 2008, Lula visitou as obras do PAC no Complexo do Alemão. Na mesma solenidade, que contou com um espetáculo do grupo AfroReggae, ele atacou o governo anterior e prometeu fazer "uma revolução para resolver o problema da segurança pública", transformando a área num "Território da Paz".


Quase um ano depois, já dá para analisar alguns dos resultados dessa revolução. Primeiro: Lula continuou a visitar obras do PAC e a atacar o governo anterior. Segundo: poucos dias atrás, um dos integrantes do AfroReggae foi morto a tiros e a PM soltou seus assassinos. Terceiro: sim, o Complexo do Alemão transformou-se num território da paz, mas unicamente para os traficantes do Comando Vermelho. De fato, desde que Lula passou por lá para visitar as obras do PAC, a polícia nunca mais realizou uma operação contra seus criminosos. A última delas ocorreu em outubro de 2008. Nesse período, FB aumentou seu arsenal e reuniu suas tropas. Como diz o funk de DJ Will, ecoado por MC Beltrame:


"A PM aqui não entra / Aqui só tem talibã / Terrorista da Al Qaeda"



Por Diogo Mainardi



sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A Onda

Vivemos em tempos estranhos e difíceis de definir. A queda de toda uma ideologia totalitária infelizmente não refletiu nas formas de dominação, na pacificação mundial e na redução dos níveis de pobreza. Temos ainda regimes como o Irâ e Sudão, e mais próximos Hugo Chaves e sua "revolução bolivariana". Temos as FARCS, visto por alguns políticos como portadora de ideologia mas na verdade um dos maiores cartéis de drogas de todo o mundo. Temos um presidente Americano ganhador do Nobel da Paz que vai enviar mais alguns milhares de soldados ao Afeganistão. Tudo vale e vale tudo. Carregar contradições explicitas já não é tão difícil, já que ninguém mais questiona nada. O que isso tem a ver com o bullyng? Tudo. Não só a violência no ensino médio mas também o tradicional trote universitário vem sendo tipificada por psicólogos, semiologos, sociólogos como uma formação protofacista ( Eco, 1995)na medida em que grupos visam humilhar os supostamente mais fracos. Em tempos onde nossos lideres já não possuem nenhum pudor e tudo é permitido os jovens procuram a proteção de grupos onde possam se identificar. Do cínico eu não sabia a afirmação da inexistência do mesalão, vemos cair as barreiras morais que tornavam mais estáveis nossa vida em comunidade. Sem freios sociais e as amarras impostas pela vida comunitária e pelo exemplo de nossos lideres vemos o jovem tornar-se presa fácil de grupos para poder sentir que faz parte de algo maior que ele, de encontrar alguma estabilidade onde "tudo que é solido desmancha-se no ar" (frase de Marx, no manifesto comunista). Mas, reconher o problema e mostrar suas causas não são resolver os mesmos. O que fazer?Mais aulas? Palestras? Leis e punições mais severas? Será que apenas de forma legalista podemos impedir as novas gerações a evitar essas práticas? Apesar de saber que a formação de leis é imprescindível, pois elas norteiam e balizam nossas vidas creio que importante também seria a formação de uma consciência critica dos alunos. A formação de grupos de discussão que levasse o debate para dentro das classes, não impondo suas opiniões, mas fazendo com que os jovens pensassem de forma critica, por si mesmo e sem a mediação de lideres e iluminados quebraria esse circulo vicioso dos grupos, irmandades e coisas afins. Citando textualmente um artigo do blog espaço acadêmico; "O conhecimento científico, a informação e a tecnologia são insuficientes para melhorar o ser humano. É preciso desenvolver uma nova educação que encare o mundo complexo e promova, além da pesquisa que aspira o conhecimento novo, também uma sabedoria prática para se viver a vida pessoal e coletiva em tempos tão sombrios."


Não por acaso o artigo fala sobre o filme "A Onda" (que todos deveriam assistir antes de ver "lula, o filho do Brasil").


Baseados em fatos reais o filme conta a história de um professor que decide fazer um experimento com os alunos; cria um movimento, cria um símbolo, exorta a disciplina, fazendo valer seu "poder e superioridade". Seus alunos reproduzem o comportamento, obedecendo cegamente e fazem do com que os relutantes convivam com ameaças de expulsão do grupo. Embora o filme seja uma metáfora do surgimento do nazi-facismo e o poder e atração dos rituais ele conscientiza sobre o poder doutrinário dos movimentos ideológicos, políticos ou religiosos e o uso de slogans, palavras de ordem e a adoração a um "grande líder". Alias, Creio que o filme deveria ser passado em todas as escolas. Le serviria muito bem para balizar o debate.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O pelé da politica pode encerrar a carreira no time dos malufs!!!


Publicado por Augusto Nunes em seu blog. O link da materia vem abaixo.


http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/o-pele-da-politica-pode-encerrar-a-carreira-no-time-dos-malufs/


O Pelé fez isso, o Pelé deixou de fazer aquilo - é sempre na terceira pessoa do singular que o maior craque de todos os tempos se refere a si próprio. Faz sentido: nem Pelé acredita que é Pelé. Sabiamente, prefere achar que os deuses dos estádios resolveram contemplar o País do Futebol com uma coisa do outro mundo que, antes e depois da deslumbrante passagem pelos campos do planeta, teria o nome de Edson Arantes do Nascimento e a aparência de um ser humano.


O Maluf fez isso, o Maluf jamais faria aquilo - copiou a fórmula o grande farsante desde que se alojou no noticiário político-policial. Faz sentido: embora saiba que é Maluf, Paulo Salim Maluf prefere que os outros acreditem na existência de uma entidade mais que perfeita perseguida por um homônimo delinquente. Espertamente, finge achar que todos os santos se juntaram para presentear o maior país católico do mundo com o Maluf que faz metrô, avenida, estrada, cidade, Estados - até país, se deixarem. Mas a Divina Providência esqueceu de proibir o nascimento do outro Maluf que faz coisas de que até Deus duvida e a Justiça faz de conta que não vê.


O Lula fez isso, o Lula vai fazer aquilo, o Lula faz e acontece - deu de usar a terceira pessoa também o presidente da República. Faz sentido: convivem na cabeça de Luiz Inácio Lula da Lula o gênio da bola e o gênio das bolas. Pelo que diz que fez ou fará, é mais que o maior dos governantes desde Tomé de Sousa: é o Pelé dos estadistas. Pelas jogadas que anda fazendo, pelos amigos de infância que arrumou, pelos parceiros que tem, pelas demonstrações de desprezo por códigos legais ou normas éticas, pela cumplicidade ativa com corruptos juramentados, pela desenvoltura com que conta mentiras e pelo conjunto da obra, já está moralmente qualificado para encerrar a carreira no time dos malufs.


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O menino maluquinho do Ceará virou um cinquentão muito doido

Augusto Nunes, 27/4/2009




Na campanha de 2002, o candidato Ciro Gomes desfiava promessas no horário eleitoral no rádio quando um ouvinte lhe perguntou se pretendia ser presidente da Suiça. "Lá é parlamentarista", subiu o tom o orador. "É só um aviso aí pra esses petistas furibundos. Tem que fazer as perguntas com um pouco mais de cuidado pra largar de ser burro". Pegou mal, não demorou a entender o próprio Ciro, que levou alguns dias para balbuciar o inconvincente pedido de desculpas e recitar a frase tão verdadeira quanto uma cédula de 3 reais: "Nunca agredi ninguém em minha extensa vida pública".
Como?, espantaram-se os mandacarus do sertão e as areias do litoral do Ceará. Ciro rima com grosseria desde a primeira subida ao palanque. Em 1994, por exemplo, quando ainda se enfeitava com plumas de tucano, foi à luta contra o partido que apoiaria no século seguinte: "Os políticos do PT são uns mijões nas calças", resumiu numa entrevista. Em 2002, portanto, tinha pelo menos oito anos de milhas acumuladas. De lá para cá, o que andou fazendo e dizendo transformou o antigo menino maluquinho num cinquentão doido demais.
Entre os melhores dos seus piores momentos inclui-se o confronto com celebridades que se opõem à transposição do Rio São Francisco e visitaram a Câmara dos Deputados em fevereiro de 2008. Avesso a aparecer no local do emprego, o fervoroso partidário do projeto estava lá para recepcioná-los. Para encurtar a conversa, mirou a atriz Letícia Sabatella e apertou o gatilho: "Não sei se estou no mesmo lugar que o seu, mas é parecido. Eu, ao meu jeito, escolhi a opção de meter a mão na massa. às vezes suja de cocô. Mas minha cabeça, não. Meu compromisso, não". Letícia achou que aquilo nem merecia resposta.
Três meses depois de Letícia, chegou a vez de Luizianne Lins, prefeita da capital cearense em campanha pela reeleição. Cabo eleitoral da candidata Patrícia Saboya, senadora e mãe de seus filhos, o deputado federal estacionado no PSB (depois de escalas no PMDB, no PSDB e no PPS) deu uma geral na paisagem e soltou o diagnóstico: "Fortaleza é um puteiro a céu aberto". Para não perder o apoio do governador Cid Gomes, irmão de Ciro, a prefeita fez de conta que não ouvira direito. Cid também. O resto da família não fez comentários.
Neste abril, o cearense brigão pousou no Congresso disposto a transformar em endereço permamente o Sanatório Geral, que o hospeda há 14 anos. Irrompeu no plenário bravo com os colegas que acham prudente usar a cota de passagens aéreas com menos desfaçatez. "Até ontem era tudo liberado!", esbravejou. "Então, por que mudar? É um bando de babacas!". Ficou mais bravo ainda quando soube que viera do Ministério Público a informação de que havia financiado com dinheiro da Câmara, tungado dos contribuintes, um giro internacional da mãe. "Ministério Público é o c……..!", caprichou. "Não tenho medo de ninguém! Da imprensa, de deputado! Pode escrever o c…….. aí!", recomendou aos jornalistas. A recomendação foi atendida, mas nem por isso Ciro Gomes reduziu a marcha. "Até parece que isto é um pardieiro de salafrários!", irritou-se no dia seguinte com o noticiário. E então sumiu de novo.
Candidato do PSB ao Planalto até a semana passada, Ciro talvez tenha de mudar do partido para continuar na corrida: os correligionários ficaram assustados com a performance do artista. Também candidato ao Planalto, mas pronto a estender a mão aos concorrentes, o senador Cristovam Buarque, do PDT, sugeriu-lhe uma brusca mudança de rota. "Quem quer ser presidente não precisa estudar em Harvard", ensinou. "Precisa é conhecer o Vale do Jequitinhonha"".
Como qualquer brasileiro com mais de três neurônios, Cristovam sabe que Ciro Gomes precisa é de um curso intensivo de boas maneiras. Se o senador anda achando que a solução está no Jequitinhonha, decerto descobriu que as mães daquela região mineira continuam lavando com sabão a boca de moleques que dizem palavrões em público.

Caso Celso Daniel completa sete anos sem punições - Blog reinaldo azevedo

Por Lilian Christofoletti, na Folha:






Há exatos sete anos, a localização do corpo do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), jogado em uma estrada de terra, em Juquitiba (SP), com marcas de tortura e alvejado por oito tiros, foi o desfecho de dois dias de sequestro. Na Justiça, a punição de seus supostos algozes ainda está longe do fim.






Apesar de a denúncia, que é a acusação formal feita pelo Ministério Público ao Judiciário, ter sido apresentada em junho de 2002, até agora a Justiça de Itapecerica da Serra (Grande São Paulo), que ficou encarregada de julgar o homicídio, está parada na fase de oitiva de testemunhas de defesa.






Oito pessoas foram denunciadas pelo Gaeco de Santo André, grupo especial de investigação do Ministério Público do Estado de São Paulo, pelo assassinato do prefeito. Uma delas era um amigo e ex-segurança de Celso Daniel, o empresário Sérgio Gomes da Silva, que estava com o petista no dia em que ele foi sequestrado.






Celso Daniel e Gomes da Silva haviam jantado em um restaurante em São Paulo e voltavam para Santo André em uma Pajero Caso Celso Daniel completa sete anos sem punições




Por Lilian Christofoletti, na Folha:






Há exatos sete anos, a localização do corpo do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), jogado em uma estrada de terra, em Juquitiba (SP), com marcas de tortura e alvejado por oito tiros, foi o desfecho de dois dias de sequestro. Na Justiça, a punição de seus supostos algozes ainda está longe do fim.






Apesar de a denúncia, que é a acusação formal feita pelo Ministério Público ao Judiciário, ter sido apresentada em junho de 2002, até agora a Justiça de Itapecerica da Serra (Grande São Paulo), que ficou encarregada de julgar o homicídio, está parada na fase de oitiva de testemunhas de defesa.






Oito pessoas foram denunciadas pelo Gaeco de Santo André, grupo especial de investigação do Ministério Público do Estado de São Paulo, pelo assassinato do prefeito. Uma delas era um amigo e ex-segurança de Celso Daniel, o empresário Sérgio Gomes da Silva, que estava com o petista no dia em que ele foi sequestrado.






Celso Daniel e Gomes da Silva haviam jantado em um restaurante em São Paulo e voltavam para Santo André em uma Pajero blindada, conduzida pelo ex-segurança. No caminho, o carro foi interceptado e o prefeito foi levado por sete homens armados.






Para o Ministério Público, o sequestro foi simulado pelo empresário, que encomendou a morte do amigo. Gomes da Silva, que responde em liberdade, nega com veemência e afirma também ter sido vítima.






Ao final das oitivas de todas as testemunhas de defesa dos oito denunciados pelo homicídio, a Justiça deverá fazer a pronúncia do caso, ou seja, se reconhecer como provada a existência do crime e de indícios suficientes de serem os réus os autores, irá submeter o processo ao julgamento final no tribunal do júri. Caso contrário, o Judiciário poderá arquivar o processo.






Em 2006, familiares de Celso Daniel saíram do Brasil e buscaram asilo na Europa. Disseram que vinham sendo vítimas de constantes ameaças de morte por insistirem na resolução do crime.






blindada, conduzida pelo ex-segurança. No caminho, o carro foi interceptado e o prefeito foi levado por sete homens armados.






Para o Ministério Público, o sequestro foi simulado pelo empresário, que encomendou a morte do amigo. Gomes da Silva, que responde em liberdade, nega com veemência e afirma também ter sido vítima.






Ao final das oitivas de todas as testemunhas de defesa dos oito denunciados pelo homicídio, a Justiça deverá fazer a pronúncia do caso, ou seja, se reconhecer como provada a existência do crime e de indícios suficientes de serem os réus os autores, irá submeter o processo ao julgamento final no tribunal do júri. Caso contrário, o Judiciário poderá arquivar o processo.






Em 2006, familiares de Celso Daniel saíram do Brasil e buscaram asilo na Europa. Disseram que vinham sendo vítimas de constantes ameaças de morte por insistirem na resolução do crime.


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